terça-feira, 13 de novembro de 2018

Quais são as 5 razões pelas quais você quer uma igreja em declínio?

"A igreja em declínio é sempre vista como ruim. Há razões tipicamente legítimas para preocupação quando uma igreja declina em quantidade de dinheiro e pessoas. E ainda assim, enquanto observei nossa igreja local passar por crescimento, estabilidade e declínio várias vezes nos últimos 15 anos, aprendi que há algumas formas boas, saudáveis e empolgantes em que Deus demonstra estar trabalhando em uma igreja através do declínio. Eu quero desafiar esta maneira comum de avaliar as igrejas locais com 5 razões, eu diria, pelas quais nós queremos que uma igreja entre em declínio demonstrando saúde e vida, não disfunção e morte." – Brian Croft

Leia o artigo: https://fiel.in/2OIcGsz

terça-feira, 18 de setembro de 2018

A Oração do Pai Nosso - Mt 6. 9-13

O evangelista Mateus, cujo nome anterior era Levi, um coletor de impostos que deixou seu posto de trabalho para ser discípulo de Jesus, foi o autor do Evangelho Segundo Mateus, o primeiro livro do Novo Testamento. Não foi o primeiro evangelho a ser escrito, mas foi o primeiro de conhecimento público, provavelmente escrito em Antioquia, na Síria, entre 64 e 70 d.C, destinado à própria igreja de Antioquia, uma congregação composta por judeus e gentios.

O evangelho de Mateus é caracterizado como uma organização dos oráculos de Deus. Na antiguidade, um oráculo era a resposta dada pela divindade a quem era consultada ou a divindade que dava a resposta. Assim poderemos considerar o Evangelho Segundo Mateus como a resposta de Deus aos homens. Uma resposta contida no silêncio profético do período interbíblico de mais ou menos quatrocentos anos, entre o livro de Malaquias e os evangelhos. Quando chegou o momento de Deus continuar o processo da sua revelação aos homens, paralisada no período interbíblico, Deus se revelou em seu filho, Jesus Cristo, “o resplendor de sua glória e a expressão exata de seu Ser.” (Hb 1.3). Jesus é chamado o “Emanuel (que quer dizer Deus conosco).” Mt 1.23 e seu glorioso ministério entre os homens está registrado nos evangelhos.

Encontramos no Evangelho Segundo Mateus, no seu nono capítulo, versos nove a treze, a origem da Oração do Pai Nosso, recitada por todas as denominações que se intitulam cristãs. Oração que não deve ser recitada mecanicamente, mas orada como é ensinada por Jesus. Ele ensinava aos seus discípulos, em Mt 6.5-8, a respeito da oração quando lhes ensinou a seguir, a Oração do Pai Nosso, como uma oração padrão. Jesus debatia sobre os hábitos farisaicos da prática da oração em locais públicos, tais como nas sinagogas e nas praças, com o objetivo de serem vistos pelos homens – Mt 6.5; o uso de vãs repetições como se Deus os ouvisse pelo muito falar – Mt 6.7. Ao contrário as orações deveriam ser feitas secretamente – Mt 6.6 e com o conhecimento de que “ Deus, o vosso Pai, sabe o de que tendes necessidade, antes que lho peçais.”  - Mt 6.8. Da Oração do Pai nosso, o nosso primeiro alvo é quanto ao seu vocativo. PAI NOSSO QUE ESTÁS NOS CÉUS.

Primeiro, se a Oração do Pai Nosso contivesse apenas esta expressão já estaria perfeita, completa. O restante do texto seguinte seria uma ampliação do seu pensamento. Se aprendêssemos o significado da sentença, PAI NOSSO QUE ESTÁS NOS CÉUS, não precisaríamos de ir à frente, embora o propósito de Jesus fosse de nos ensinar a oração completa. No contexto humano somos pais imperfeitos. Em uma população socialmente carente, encontraríamos o nível máximo do conceito de pais imperfeitos; pobres pais que pouco têm a dar aos seus filhos tão necessitados. Nos meios de extrema pobreza, encontramos presente a associação de todas as imperfeições dos pais humanos.

Em segundo, lugar a expressão PAI NOSSO é a definição de Deus. Continuaremos na próxima pastoral, um resumo do estudo bíblico da próxima quarta-feira. Não perca essa rica oportunidade de um conhecimento geral sobre a ORAÇÃO DO PAI NOSSO.

Deus nos abençoe no conhecimento de sua santa e preciosa palavra.              
Cleuso Nogueira – Pastor da Igreja Presbiteriana José Manoel da Conceição, JANDIRA - SP.

O crescimento vem de Deus - Sergio Lima


sábado, 8 de setembro de 2018

Reflexão!

Cristo pega sua noiva todos os dias olhando para outro, desejando outro que não é seu noivo. Por diversas vezes ele encontra sua amada em um leito de prostituição, e diz à ela "levanra-te e vem ter comigo, amada minha.".
Será que este amor não nos constrange ao ponto de fazer-nos perdoar qualquer tipo de ofensa diferida à nós? Reflitamos.

-R. C. Telles

Cyro Ferreira - Castelo forte é nosso Deus


domingo, 22 de julho de 2018

Institutas da Religião Cristã


Esta primeira edição das Institutas, escrita originalmente em latim, apresenta ao leitor o fundamento do pensamento e o coração de Calvino, estabelecendo-se como a mais importante obra de sua vida — obra que ele reeditou cinco vezes, até a sua última edição, em 1559. Depois de cinco séculos de seu lançamento, as Institutas permanecem úteis e relevantes para o estudo da doutrina e da piedade cristã. Dividida em duas partes, esta edição histórica oferece uma visão profunda do conhecimento de Deus e da vida cristã, e é uma obra que serve tanto ao interessado em aprofundar seu conhecimento da doutrina cristã como ao estudioso da obra do reformador francês.


sábado, 14 de julho de 2018

AS PESSOAS ESTÃO PROCURANDO IGREJAS BÍBLICAS

Antigamente as pessoas procuravam uma igreja perto de suas casas, hoje já não o fazem mais, visto que nem sempre encontram perto de seus lares igrejas saudáveis. Posso afirmar sem sombra de dúvidas que a distância deixou de ser um empecilho pra muita gente, mesmo porque, o povo cansou do blá-blá-blá proferido por pastores despreparados. Digo mais, muitos não suportam mais os discursos da confissão positiva, ou repetições descabidas do tipo "diga para o irmão que está ao seu lado", ou "repita comigo"  O povo mais do que nunca quer uma igreja BÍBLICA, cristocêntrica, centrada nas Escrituras, não importando com isso, ter que andar quilômetros de ônibus, moto, carro e bicicleta.

Soli Deo glória!





Renato Vargens

terça-feira, 10 de julho de 2018

Não podemos dizer que amamos à alguém, se não o conhecemos.

Dizer que quer conhecer a Deus sem antes conhecer o livro Dele, é tão contraditório quanto querer sair guiando um carro sem ter aprendido a guiar primeiro. Ou pior, é tão hipócrita quanto dizer que ama sua esposa para o mundo todo ouvir e ver, mas em casa age como se ela não existisse; você quer ser tocado por ela, quer ter noites de prazer sexual com ela, mas sequer conhece a mulher que diz amar, pois nunca a ouviu sobre o que ela tem pra dizer sobre o que pensa e como se sente.
Com Deus é assim também; você não pode esperar chegar à algum lugar e encontrar a Deus, se primeiramente você não tem Ele em sua vida, pois Deus não é de ficar fora de nós, por mais que Ele venha de fora.
Esta geração medíocre precisa, antes de tudo, conhecer as Escrituras, antes de conhecer O Dono das Palavras do livro. Pois somente pelas Escrituras, O Verbo de Deus, podemos chegar à Ele.
Não podemos dizer que amamos à alguém, se não o conhecemos.

                           Por R. C. Telles.

sábado, 7 de julho de 2018

A Doutrina De Deus

1. Deus É

Disse Moisés a Deus: Eis que, quando eu vier aos filhos de Israel e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós outros; e eles me perguntarem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? Disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós outros. Disse Deus ainda mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O SENHOR, o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó, me enviou a vós outros; este é o meu nome eternamente, e assim serei lembrado de geração em geração (Êx 3.13-15).
Meu objetivo final nos dez capítulos deste livro é espalhar uma paixão pela supremacia de Deus em todas as coisas para a alegria de todos os povos por meio de Jesus Cristo. Em outras palavras, eu pretendo falar de Deus o Pai e de Deus o Filho, através de Deus o Espírito, de modo que você — e milhares de pessoas através de você — seja estimulado a se unir a mim em adoração alegre ao nosso Deus triuno.
Sob esse objetivo geral, minha intenção é despertar e fortalecer em você uma forte convicção de que os últimos trinta anos de ministério na Igreja Batista Bethlehem foram uma preparação, não uma consumação. Ou, em outras palavras, espero ajudá-lo a ver e sentir que minha transição como pastor e pregador em Bethlehem é menos sobre o pouso e mais sobre a decolagem. É menos sobre as grandes coisas que Deus fez, e mais sobre as coisas maiores que Deus fará.
Portanto, pareceu-me bem, com o encorajamento da equipe pastoral de Bethlehem, voltar a nossa atenção para uma série sobre realidades fundamentais — verdades determinantes, ênfases de trinta anos e marcos bíblicos que moldaram profundamente o que é a Igreja Batista Bethlehem nessas últimas três décadas.

1.1 Criando Realidades Futuras

O resumo das verdades fundamentais neste livro é como uma decolagem em vez de um pouso. Elas nos levam a buscar preparação, em vez de ponderar sobre a consumação, a tomar posse das coisas maiores que estão por vir, em vez de atentar para as grandes coisas do passado. A razão é que essas realidades fundamentais, expostas em cada capítulo, são extremamente indomáveis, explosivamente incontíveis ​​e poderosas para criar o futuro. Elas não apenas sustentam o presente e explicam o passado. Elas são vivas e ativas e sobrenaturalmente cheias de poder para tomar esta igreja no que ela ainda não sonhou, de maneiras que ainda não sonhamos.
E, antes de iniciar a decolagem com estas verdades explosivas, devo esclarecer que tenho pouca dúvida em minha mente — e a pequena dúvida em minha mente não se refere a Deus, mas à falta de Deus — que a próxima etapa da vida de Bethlehem será a mais grandiosa que já conhecemos. Todos nós sabemos que muitos ministérios têm florescido por décadas e se tornado significativos, e então, com uma mudança de liderança, as coisas desmoronam e o impacto diminui, a esperança se esvai e a alegria é perdida, e o ministério diminui e talvez até morre. Minha profunda convicção é que Deus não deixará isso acontecer em Bethlehem. Na verdade, se tivesse que fazer isso, apostaria minha vida nessa previsão.
E assim nos voltamos para essa série de realidades fundamentais — essas verdades determinantes, essas ênfases de 30 anos, esses marcos bíblicos — que moldaram o que Bethlehem é nessas últimas três décadas, essas realidades são extremamente indomáveis, explosivamente incontíveis ​​e poderosas para criar o futuro.

1.2 Deus Absolutamente É

A primeira ênfase teológica é que Deus é. Ou, para dizê-lo como o texto diz: Deus é o que é. Ou, para dizê-lo de maneira mais filosófica: Deus absolutamente é. Esse é o fato mais básico e mais definitivo. Considerando os bilhões de fatos que existem, esse fato está na base e no topo. Ele é o fundamento de todos os outros e a consumação de todos os demais fatos. Nada é mais básico e nada é mais definitivo do que o fato de que Deus é.
Nada é mais fundamental do que: Deus é. Nada é mais fundamental para a sua vida ou para o seu casamento, seu trabalho, sua saúde, sua mente ou seu futuro do que o fato que Deus é. Nada é mais fundamental para o mundo, ou para o sistema solar, ou para a Via Láctea ou para o universo do que o fato que Deus é. E nada é mais fundamental para a Bíblia e a autorrevelação de Deus e a glória do evangelho de Jesus do que o fato que Deus é.

1.3 Compreendendo Êxodo 3

A realidade que Deus absolutamente é permanece como o aspecto central de Êxodo 3.13-15. Permita-me contar a você o contexto. Por vários séculos o povo de Israel — o povo escolhido de Deus — viveu como estrangeiros no Egito. E por muito tempo foram tratados como escravos. Agora o tempo da libertação de Deus está se aproximando. Nasce um bebê judeu chamado Moisés. Ele é providencialmente resgatado do decreto de morte pela filha do faraó e criado na corte. Quando adulto, ele defende um hebreu, acaba por matar um egípcio e foge para a terra de Midiã. E ali Deus aparece para ele em uma sarça ardente, como lemos em Êxodo 3.6-10:
Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. Moisés escondeu o rosto, porque temeu olhar para Deus. Disse ainda o SENHOR: Certamente, vi a aflição do meu povo, que está no Egito, e ouvi o seu clamor por causa dos seus exatores. Conheço-lhe o sofrimento; por isso, desci a fim de livrá-lo da mão dos egípcios e para fazê-lo subir daquela terra a uma terra boa e ampla, terra que mana leite e mel; o lugar do cananeu, do heteu, do amorreu, do ferezeu, do heveu e do jebuseu. Pois o clamor dos filhos de Israel chegou até mim, e também vejo a opressão com que os egípcios os estão oprimindo. Vem, agora, e eu te enviarei a Faraó, para que tires o meu povo, os filhos de Israel, do Egito.
Então, Moisés é o líder escolhido por Deus para tirar o seu povo da escravidão e conduzi-los à terra prometida. Porém, Moisés recua. Como ele fez — ou José ou você poderiam fazer. Versículo 11: “Então, disse Moisés a Deus: Quem sou eu para ir a Faraó e tirar do Egito os filhos de Israel?”. E Deus disse (v. 12): “Deus lhe respondeu: Eu serei contigo; e este será o sinal de que eu te enviei: depois de haveres tirado o povo do Egito, servireis a Deus neste monte”.
E então Moisés nos leva a uma das coisas mais importantes que Deus já disse. Este é o nosso texto, Êxodo 3.13-15:
Disse Moisés a Deus: Eis que, quando eu vier aos filhos de Israel e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós outros; e eles me perguntarem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? Disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós outros. Disse Deus ainda mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O SENHOR [Em hebraico: Yahwéh], o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó, me enviou a vós outros; este é o meu nome eternamente, e assim serei lembrado de geração em geração.

1.4 Três Coisas Que Deus Diz Sobre Si Mesmo

Você pergunta meu nome, Deus diz, eu lhe direi três coisas. Primeiro (versículo 14) “Deus disse a Moisés: EU SOU O QUE SOU”. Ele não disse que esse era o seu nome. Ele disse, com efeito: Antes que você se preocupe com meu nome, onde eu me alinhei entre os muitos deuses do Egito, Babilônia ou Filístia, e antes de pensar em conjurar-me com meu nome, e mesmo antes de você se perguntar se eu sou o Deus de Abraão, fique atordoado com isto: “EU SOU O QUE SOU”. Eu absolutamente sou. Antes de você conhecer meu nome, conheça meu ser. Que eu sou o que sou — que eu absolutamente sou — é primeiro, fundamental e de infinita importância.
Em segundo lugar (versículo 14b), “Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós outros”. Aqui ele ainda não deu a Moisés seu nome. Ele está construindo uma ponte entre seu ser e seu nome. Aqui Deus simplesmente coloca a declaração de seu ser no lugar de seu nome. Ele disse, Diga: “EU SOU me enviou a vós outros”. Aquele que é — que absolutamente é — me enviou a vocês.
Em terceiro lugar (versículo 15), “Disse Deus ainda mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O SENHOR [hebraico: “Yahwéh”], o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó, me enviou a vós outros”. Este é o meu nome eternamente [Yahwéh]. Finalmente ele nos dá seu nome. Quase sempre é traduzido como SENHOR (todas as letras em maiúsculo) na Bíblia em português. Mas o hebraico seria pronunciado como “Yahwéh” e é construído sobre a palavra, “Eu Sou”. Assim, toda vez que ouvimos a palavra Yahwéh (ou a forma curta Yah, que você ouve toda vez que você canta “alelu-yah”, “louvado seja o Senhor”), ou toda vez que você vê o Senhor na Bíblia, você deve pensar: este é um nome próprio (como Pedro, Tiago ou João) construído a partir da palavra “Eu Sou”, isso nos lembra a cada vez que Deus absolutamente é.

1.5 A Verdade Torna Um Povo Irresistível

Deus absolutamente é. Isso é maravilhoso. Deus deu um nome a si mesmo (usado mais de 4.000 vezes no Antigo Testamento) que ao ouvi-lo urge conosco a pensar que Ele é. Ele absolutamente é. Ele é absoluto.
Este é o primeiro da série de realidades fundamentais — verdades determinantes, ênfases de trinta anos e marcos bíblicos — que marcaram a Igreja Batista Bethlehem por três décadas. Nós somos conduzidos pelo simples fato de que Deus é. Que “ele é quem ele é”. Isso ele é absolutamente. Esta é a primeira das realidades — extremamente indomáveis, explosivamente incontíveis e poderosas para criar o futuro — que nós abraçamos.
Um povo que está impressionado com o que Deus é, será um povo ao qual nada pode resistir. Nosso Deus triuno gosta de aparecer em poder gracioso, onde as pessoas são movidas pelo fato que ele é.

1.6 Dez Coisas Que Significa Para Deus Ser Quem Ele É

O que significa para Deus ser quem ele é? Aqui estão dez pontos:
O ser absoluto de Deus significa que ele nunca teve um começo. Isso abala a mente. Toda criança pergunta: “Quem fez Deus?”. E todo pai sábio diz: “Ninguém fez Deus. Deus simplesmente é. E sempre foi. Sem começo”.
O ser absoluto de Deus significa que Deus nunca terminará. Se ele não surgiu, ele não pode deixar de ser porque está sendo. Ele é o que é. Não há lugar para ir além de ser. Só existe ele. Antes de criar, é tudo o que é: Deus.
O ser absoluto de Deus significa que Deus é uma realidade absoluta. Não há realidade antes dele. Não há realidade fora dele, a menos que ele queira e o faça. Ele não é uma das muitas realidades antes de criar. Ele está simplesmente lá como realidade absoluta. Ele é tudo que foi eternamente. Sem espaço, sem universo, sem vazio. Só Deus. Absolutamente lá. Absolutamente tudo.
O ser absoluto de Deus significa que Deus é totalmente independente. Ele não depende de nada para trazê-lo à existência ou apoiá-lo ou aconselhá-lo ou torná-lo o que ele é. É isso que as palavras “ser absoluto” significam.
O ser absoluto de Deus significa que tudo que não é Deus depende totalmente de Deus. Tudo o que não é Deus é secundário e dependente. O universo inteiro é totalmente secundário. Não primário. Ele surgiu por Deus e permanece a cada momento dependente da decisão de Deus de mantê-lo em existência.
O ser absoluto de Deus significa que todo o universo comparado a Deus é como nada. A realidade contingente e dependente é para a realidade absoluta e independente como uma sombra para a substância. Como um eco para um trovão. Como uma bolha para o oceano. Tudo o que vemos, tudo pelo que estamos maravilhados no mundo e nas galáxias, é, comparado a Deus, como nada. “Todas as nações são perante ele como coisa que não é nada; ele as considera menos do que nada, como um vácuo” (Isaías 40.17).
O ser absoluto de Deus significa que Deus é constante. Ele é o mesmo ontem, hoje e sempre. Ele não pode ser melhorado. Ele não está se tornando nada. Ele é quem é. Não há desenvolvimento em Deus. Sem progresso. A perfeição absoluta não pode ser melhorada.
O ser absoluto de Deus significa que ele é o padrão absoluto de verdade, bondade e beleza. Não há livro de leis para o qual ele se volta para saber o que é certo. Nem almanaque para estabelecer fatos. Nem guilda para determinar o que é excelente ou belo. Ele mesmo é o padrão do que é certo, do que é verdadeiro, o do que é belo.
O ser absoluto de Deus significa que Deus faz o que lhe agrada e é sempre correto e sempre belo e sempre de acordo com a verdade. Não há restrições sobre ele que venham de fora dele e que possam impedi-lo de fazer qualquer coisa que lhe agrade. Toda realidade que está fora dele, ele criou, projetou e governa como a realidade absoluta. Então ele está totalmente livre de quaisquer restrições que não se originam do conselho de sua própria vontade.
O ser absoluto de Deus significa que ele é a realidade mais importante e mais valiosa e a pessoa mais importante e mais valiosa do universo. Ele é mais digno de interesse, atenção, admiração e desfrute do que todas as outras realidades, incluindo o universo inteiro.

1.7 A Indignação Cósmica

Deus absolutamente é! Nós acreditamos e valorizamos isso. Deus é. Esse é uma realidade extremamente indomável, explosivamente incontível e poderosa para criar o futuro — Deus é.
Portanto, existe uma indignação cósmica potencializada a bilhões de vezes sobre o fato de que Deus é ignorado, tratado como insignificante, questionado, criticado, tratado virtualmente como se fosse nada e alguém em quem as pessoas pensam menos do que nos tapetes de suas casas.
Sendo Deus a realidade mais significativa, nada é corretamente conhecido à parte de seu relacionamento com ele. Ele é a fonte, objetivo e definidor de todos os seres e de todas as coisas. Nós seremos, portanto, um povo apaixonado por Deus. Conhecê-lo, admirá-lo, torná-lo conhecido como glorioso é a nossa paixão motivadora. Ele é simplesmente dominante em nossa consciência. Tudo deve estar relacionado com ele, se nós existirmos para espalhar uma paixão pela supremacia de Deus!

1.8 Nunca Faça De Deus Algo Periférico

Com a ajuda de Deus, não blasfemaremos contra ele. Não blasfemaremos contra o Deus que é absolutamente subestimá-lo, ou torná-lo periférico, ou chama-lo de a razão de todas as coisas enquanto são as “coisas” que realmente nos alegram. Tememos tropeçar na criticismo de Albert Einstein sobre o qual Charles Misner escreveu há vinte anos:
Eu vejo o design do universo como essencialmente uma questão religiosa. Isto é, deve-se ter algum tipo de respeito e admiração por todo o negócio. É muito magnífico e não deve ser subestimado. De fato, creio que é por isso que Einstein teve tão pouca utilidade para a religião organizada, embora ele me pareça um homem basicamente muito religioso. Ele deve ter olhado para o que os pregadores disseram sobre Deus e sentiu que eles estavam blasfemando. Ele tinha visto muito mais majestade do que eles jamais imaginaram, e eles simplesmente não estavam falando sobre a coisa real (Citado em First Things [Primeiras Coisas], dezembro de 1991, nº 18, 63).
Quando li isso, eu disse: “Ó Deus, nunca, nunca deixe que isso aconteça em Bethlehem!”. Há milhares de pessoas nesta cidade e bilhões no mundo que estão famintas para conhecer o Deus vivo e verdadeiro que absolutamente é. E temos as boas novas de que esse Deus enviou seu Filho ao mundo para morrer por pecadores depreciadores de Deus como nós, para que todo aquele que crer em Jesus Cristo possa conhecer esse Deus e alegrar-se para sempre. Então nós conhecemos o nosso chamado. Existimos para espalhar uma paixão pelo Deus que absolutamente é.
Este é o lugar onde estivemos. É para onde estamos indo. Indomável, incontível e poderoso para criar a realidade futura. “EU SOU O QUE SOU”. Deus absolutamente é.
Por: John Piper. © Desiring God Foundation. Website: desiringGod.org. Traduzido com permissão. Fonte: Doctrine Matters.
Original: A Doutrina de Deus. © Voltemos ao Evangelho. Website: voltemosaoevangelho.com. Todos os direitos reservados. Tradução e Revisão: William e Camila Rebeca Teixeira.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Para mim o morrer é lucro

Por Rubem C. Telles

Muitos dizem "para mim o morrer é lucro". Certamente dizem isso por sentirem certa segurança, ou alívio na morte. Tenho por certo de que tais pessoas estão desenganadas com a vida, e nalgum momento de sua vida ouviram um discurso de um pregador extemporâneo de que na morte tudo ficaria bem para essas pessoas.
Há ai um grande perigo se uma coisa não for bem avaliada antes de dizer "há lucro na morte". Pois podemos estar caíndo no erro de aderirmos para nossa mente uma falsa segurança na morte.
Por conseguinte desejo explicar o que vem a ser a base para a segurança na morte; a vida é feita de escolhas, e sempre existem vários caminhos para variados fins nesta vida. Todavia, desejo deixar bem claro que só há dois destinos terminantes, e eternos após esta vida.
Saliento o fato de que ambos os fins farão todos os homens, de todas as eras, e de todas as raças e de todas as classes sociais a se encontrar com o supremo legislador do universo. Todavia, encontrar-se com ele pode resultar em duas sentenças "vida, ou morte; salvação, ou condenação".
Para que haja um veredicto final, é necessário que os indivíduos estejam sob a jurirdição de algum senhor. E a Bíblia deixa bem claro que, para Deus, só existem dois homens no mundo "Cristo, ou Adão".
[...] O que quero expressar aqui é que, você pode estar em Adão pensando estar em cristo. Sua esperança não pode passar de uma mera doce ilusão que traz um alívio momentâneo da dor que te lascera por dentro, e parece que a morte é a melhor solução para teu problema.
Mas certamente morrerás, e por não teres entendido o começo da frase que encabeça este discurso "o morrer é lucro", certamente não entrarás no repouso eterno. Pois para entrar no repouso do Senhor, é necessário que o teu viver seja Cristo.
Viver para Cristo é estar em conformidade à sua Palavra, submeter-se à sua vontade, e ser, todos os dias, considerado uma ovelha destinada ao matadouro por amor ao seu Senhor.
Se você está disposto a ir, pregar e morrer, então podes dormir tranquilo que teu morrer será lucrativo.

- R. C. Telles.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Respondendo à falácia “quem é você para julgar?”

Por Gregory Koukl

“Não julgueis” (Mt 7.1) é o único versículo bíblico que mesmo os críticos estão convencidos de que é divinamente inspirado, ou então parece ser assim baseado em quão confiantemente eles o utilizam contra os cristãos. Contudo, o uso indevido desse versículo é extraordinariamente fácil de ser combatido quando você percebe o que realmente está acontecendo.
Em primeiro lugar, um qualificador. Julgar é encontrar falhas, e a verdadeira falha — a verdadeira culpa moral — é central para a mensagem cristã. São as más notícias que tornam as boas notícias de fato boas. Se encontrar falhas é a nossa característica, isso está errado. Mas, se nosso julgamento é mera condescendência, então responderemos a Cristo por isso. Nunca devemos esperar que os não-cristãos se comportem como cristãos. Eles não têm a capacidade de fazê-lo. Isso deve ficar claro.
Contudo, não acho que a condescendência em geral seja problema. Usualmente, algo mais está presente. Por um lado, em uma consideração inicial, a acusação “quem é você para julgar?” está baseada em um mal-entendido. Caso se trate de uma solicitação de nossas credenciais morais, então não temos nada a oferecer. Não criamos as regras que governam o comportamento. Estamos tanto sob essas responsabilidades — e condenados por elas — quanto qualquer outra pessoa.
Antes, sendo nós mesmos criminosos, nos foi mostrado o caminho para o perdão, e nós simplesmente comunicamos as boas novas. Deus é bom e nós não somos. Há uma justiça e, à parte da misericórdia, nós a sofreremos. Esclarecer isso para as outras pessoas é bondade, não condescendência.
Se você fosse passageiro no carro de um amigo e dissesse: “Caso não tenha notado, você está acelerando e há um policial nesta rua”, ele provavelmente pensaria que você lhe fez um favor. E você de fato teria feito. A ilustração tem as suas limitações, é claro, mas acho que ajuda no entendimento dessa questão.
Há outra coisa que também não quero que você ignore. É a coisa mais importante a ser conhecida sobre essa contestação. “Quem é você para julgar?” não é um questionamento, mas uma afirmação disfarçada: “Ninguém tem permissão para julgar de modo algum”. Se a moralidade for apenas uma questão de opinião pessoal, todos os julgamentos são proibidos. Esta é a estratégia do relativista.
É claro que o relativista está sempre enganando a si mesmo nessa questão. Embora ele possa ter se convencido por um momento, não é nisso que ele realmente acredita, já que ele é repleto de julgamento quando lhe convém. De fato — e você já pode ter notado — essa acusação é autodestrutiva, ma vez que ela é um julgamento implícito do cristão.
Assim, quando os críticos impõem qualquer versão de “não julgue”, não é um apelo para que você seja virtuoso; é uma demanda para que eles sejam deixados em paz. Eles citam Jesus não por convicção, mas por conveniência; não desejando ser sujeitos a qualquer crítica moral.
Então, como podemos lidar graciosamente, e ainda de modo perspicaz, quando enfrentarmos essa confrontação? Acho melhor lidar com situações semelhantes a essas fazendo perguntas. À luz das observações acima, aqui estão algumas que me vêm à mente.
Seu primeiro passo ao enfrentar qualquer confrontação é simplesmente perguntar: “O que você quer dizer?”, e esperar uma resposta. Deixe seu amigo mostrar um pouco de sua inquietação. Obter mais informações lhe dará mais recursos a serem usados. Caso o seu próprio julgamento tenha sido motivado por desprezo ou desdém, então um pedido de desculpas pode ser feito.
Você também pode arriscar: “Fiquei confuso com a sua pergunta. Você acha que eu estava impondo meu padrão pessoal a você? Se dei essa impressão, sinto muito. Eu pretendia apenas alertar você a respeito do padrão de Deus, o mesmo sob o qual eu estou”.
Caso seu interlocutor pareça estar lançando mão do relativismo, pergunte: “Você está dizendo que nunca é correto apontar um erro? Caso sim, então por que você está fazendo isso comigo agora?”. Então, deixe-o responder. Ajude-o a ver que o relativismo pode ser facilmente usado contra ele mesmo. Se ele diz: “Quem é você para julgar?”, pergunte: “Quem é você para encontrar falha?”.
O objetivo não é ser inteligente ou eloquente, mas mostrar que ele está se escondendo da questão real: sua própria culpa diante de Deus. Assegure ao seu interlocutor que você não está se sentindo superior em relação a ele. Antes, que você está simplesmente lhe dando informações que poderiam resgatá-lo, afastando-o de seu pecado e culpa e direcionando-o à misericórdia de Deus.

Tradução: Camila Rebeca Teixeira.
Revisão: William Teixeira.

domingo, 1 de julho de 2018

A.W. Pink, livro Deus é Soberano

DEUS É SOBERANO já se tornou um jovem clássico da literatura cristã. Testada pelo tempo, esta obra vem sendo impressa e reimpressa no Brasil, pela Editora Fiel, desde 1977. Por décadas, sua mensagem bíblica, iluminadora e desafiadora tem levado instrução e consolo para muitos corações sequiosos por entender a importante doutrina de Deus sobre todas as coisas.

sexta-feira, 29 de junho de 2018

SEGURANÇA NAS ADVERSIDADES


"Por que estás abatida ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim?" Sl 42.11

Há determinados dias em que as densas e escuras nuvens nos impedem de contemplar a luz do sol e de sentir o seu calor. Porém, não há nada de errado com o astro rei, pois ele permanece no seu devido lugar espargindo beleza e vida. Assim como acontece na natureza, também na vida espiritual há dias em que não sentimos os efeitos gloriosos da presença de Deus. Isso não quer dizer que ele tenha nos abandonado, o que é impossível (Is 49.15,16). Significa, tão somente, que permitimos que fatores externos sirvam de obstáculos entre nós e o nosso Deus.

Temos a tendência de ampliar e supervalorizar nossas dificuldades, atribuindo a elas uma importância que efetivamente elas não possuem. Gradativamente, a ansiedade e o medo vão se apoderando de nós e, sem perceber, vamos nos afastando de Deus e de suas gloriosas promessas. Quando isso acontece corremos o risco de afundar em meio a tempestade.

Houve um momento na vida do salmista em que ele precisou conversar seriamente com sua alma, pois ela havia se concentrado tão intensamente nos problemas e dificuldades que vivia perturbada e sem esperança. Ele a conforta e encoraja com as seguintes palavras: "Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu". Confiar em Deus é a melhor ação que o homem pode empreender.

Rev. Jailto Lima do Nascimento

quarta-feira, 27 de junho de 2018

A perfeita compatibilidade entre a Bíblia e a ciência

Muitos dos que rejeitam a fé cristã o fazem porque acreditam que a Bíblia contradiz a ciência. Mas, se existe conflito e contradição reais, depende de como se define a Bíblia e a ciência. Se a Bíblia é definida como “um livro de contos de fadas e superstições” e a ciência é definida como “fatos comprovados”, bem, obviamente, vamos ter conflito e os dois serão incompatíveis como fontes de verdade. Se a Bíblia é entendida como a Palavra de Deus e a ciência é entendida como uma metodologia necessariamente materialista que exclui a própria possibilidade de Deus, então sim, haverá um conflito. Eu proponho, entretanto, que essas não são as melhores definições iniciais e que, se pensarmos mais cuidadosamente sobre a Bíblia e a ciência, veremos que elas não estão necessariamente em conflito.
Os cristãos entendem que Deus é o Criador de todas as coisas no céu e na terra. Os cristãos também acreditam que Deus revelou certas verdades sobre si mesmo através de suas obras criadas (Rm 1.20). Teólogos o chamam de revelação geral. Deus também se revelou em sua Palavra. Nós falamos disso como revelação especial. Um ponto importante a se ter em mente é que, tanto em relação à revelação geral quanto em relação à revelação especial, Deus é o Revelador. Porque Deus é infalível, não há possibilidade de conflito ou contradição entre sua revelação geral e sua revelação especial. Deus é a única fonte infalível de ambos.
Também não há conflito entre o que ele revelou na Bíblia (revelação especial) e o que é realmente verdadeiro em relação às suas obras criadas. Se Deus criou algo de uma certa maneira, e se Deus é autoconsistente e sempre verdadeiro, sua revelação especial não dirá nada que contradiga a verdade real sobre as suas obras criadas. Se é verdade, por exemplo, que Deus criou a terra como uma esfera, então a sua revelação especial não irá e não poderá contradizer isso. Portanto, se há uma linguagem na Bíblia que parece descrever a terra como um disco achatado, o problema está em nossa interpretação.
Quando um conflito surge, é sempre o resultado da má interpretação humana sobre as obras criadas por Deus, daquilo que ele revelou através de suas obras criadas, daquilo que ele revelou através de sua Palavra, ou alguma combinação delas. Em outras palavras, um conflito pode ser o resultado de uma teoria científica incorreta sobre algum aspecto das obras criadas por Deus. Um conflito também pode ser o resultado de uma interpretação incorreta da revelação especial de Deus. E um conflito pode ser o resultado de interpretações errôneas de ambas. O problema sempre recai sobre os intérpretes humanos caídos e falíveis (cientistas e teólogos), não sobre Deus.
Os seres humanos são falíveis. Vários fatores, incluindo a ignorância e o pecado, significam que podemos e cometemos erros. Aqueles que observam e tentam entender o mundo criado podem e cometeram erros. Hipóteses e teorias científicas são falíveis. Eles podem estar enganados. Aqueles que estudam e buscam entender a Bíblia também podem e cometeram erros. Existem interpretações conflitantes de muitos textos bíblicos e sistemas teológicos conflitantes, porque os intérpretes das Escrituras são falíveis. Interpretações e teorias exegéticas e teológicas podem ser confundidas.
Ciência e Escritura são completamente compatíveis, desde que se entenda que a ciência é o estudo cuidadoso das obras de criação de Deus. A ciência corre o risco de ser incompatível com a Escritura apenas quando as filosofias metafísicas naturalistas e materialistas são importadas para a definição de ciência. O conflito que parece existir hoje é em grande parte devido a tais suposições filosóficas por parte de muitos incrédulos. Ironicamente, essas suposições filosóficas não podem ser provadas por meio de qualquer observação empírica.
Porque o mundo criado é do jeito que Deus criou, tanto os crentes como os incrédulos podem e fizeram observações verdadeiras sobre ele. É claro que os incrédulos sempre escondem quaisquer observações verdadeiras que fazem dentro de uma estrutura filosófica antibíblica, mas as observações, até onde vão, podem ser verdadeiras. Como João Calvino notou, os incrédulos podem conhecer as verdades sobre as “coisas terrenas”, embora no que diz respeito às “coisas celestiais”, eles são “cegos como as toupeiras” (Institutas 2.2.12-21). Os crentes não têm nada a temer em relação à ciência, entendida como o estudo das obras criadas por Deus. As obras das mãos de Deus são surpreendentes e maravilhosas, e os cristãos podem se alegrar e louvar ao seu Criador toda vez que algo verdadeiro sobre essas obras é descoberto, independentemente de quem fez a descoberta. O problema não é a ciência em si; o problema são as falsas filosofias disfarçadas de ciência que devem ser rejeitadas.

Tradução: William Teixeira.
Revisão: Camila Rebeca Teixeira.
O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

Calmo Sereno e Tranquilo


segunda-feira, 25 de junho de 2018

William Perkins e a pregação no movimento puritano

1. Modelos de pregação no fim da Idade Média e na Renascença
Ao fim da Idade Média e no começo da Renascença havia dois métodos de pregação principais:
O método antigo, surgido na Antigüidade, chamado desta forma por estar ligado aos primeiros pregadores, como Crisóstomo e Agostinho, e por ocasião da Reforma, a João Calvino. O método antigo de pregação não tinha nenhuma estrutura elaborada de organização, seguindo a ordem do texto, com exegese e aplicação, muitas vezes de forma extemporânea.
O método moderno, surgido na Idade Média. Era um estilo de pregação que se desenvolveu com base na oratória ciceroniana e supunha uma vasta cultura filosófica, oratória, poética e histórica, além do exercício e a imitação dos melhores autores, das suas sentenças e de seu conteúdo moral, como presente nas homilias anglicanas. Mas William Perkins tomou esta forma de pregação e eliminou todo pedantismo e linguagem vazia e sem sentido, criando um novo estilo de sermão. Por que essa necessidade de reformar até mesmo o estilo da pregação? Porque, para os puritanos, até mesmo pregar era uma atividade subversiva e seu objetivo era a reforma do caráter e da ação – “reformar a vida da impiedade”, como Perkins afirmou.
2. Reformando a piedade
William Perkins nasceu em 1558, no vilarejo de Marston Jabbet, em Warwickshire, Inglaterra. Sabemos pouco sobre sua juventude até ele deixar sua casa para começar seus estudos na Faculdade de Cristo, em Cambridge, em junho de 1577. Perkins se matriculou na faculdade como pensionista, o que sugere que ele pertencia a uma família de classe média bem estabelecida. A vida na universidade desafiou a criação religiosa de Perkins. Ele parecia ter perdido toda e qualquer fé cristã que um dia possuíra. Nesse vácuo espiritual surgiu um substituto novo, mais fascinante: o oculto. Anos mais tarde, Perkins descreveria assim essa fascinação pela mágica e pelo oculto: “Durante muito tempo, estudei essa arte e nunca me satisfazia até descobrir todos os seus segredos. Mas depois, aprouve a Deus colocar diante de mim a blasfêmia que isso era, ou, devo dizer francamente, a idolatria, embora por vezes ela pudesse estar coberta por uma tinta dourada”.
Em 1584, Perkins já havia se convertido totalmente à fé cristã. Em algum momento durante o seu bacharelado, em 1581, e seu mestrado, em 1584, Perkins passou pela experiência do novo nascimento. Naquele mesmo ano, aos 26 anos, ele passou a ser um dos professores na Faculdade de Cristo. Como professor, cresceu em conhecimento e fama até que “poucos estudantes de teologia saíssem de Cambridge sem terem se beneficiado de alguma maneira de sua instrução”. Uma das coisas que atraía seus alunos era o seu amor pela simetria e precisão lógica. Segundo seu amigo Robert Hill, “ele tinha um excelente dom para definir de maneira correta, dividir com exatidão, argumentar com sutileza, responder diretamente, falar com vigor e escrever de maneira judicial”. Além de suas tarefas rotineiras de professor, Perkins, pelo restante de sua vida, foi palestrante na igreja de Santo André, localizada bem em frente da Faculdade de Cristo. Seu ministério no púlpito pulsava com a mesma força que animava os seus ensinamentos. Thomas Fuller nos diz que, “do púlpito, ele pronunciava a palavra ‘perdição’ com tamanha ênfase, que ela ficava ecoando nos ouvidos de seu auditório por um bom tempo”. Por outro lado, “o erudito não podia ouvir sermões mais instruídos, nem o homem da cidade sermões mais claros”.
Em 1596, Perkins se casou com uma viúva chamada Timothye e imediatamente se tornou pai de sete filhos. Essa deve ter sido uma experiência chocante para quem fora solteiro durante tanto tempo. Como um homem casado, Perkins foi obrigado a abandonar seu posto na faculdade. Contudo, permaneceu como pregador na Igreja de Santo André. Ele obteve permissão para pregar aos prisioneiros nas cadeias. “Ele ganhou almas para Cristo entre eles, tanto quanto entre a multidão que comparecia para ouvi-lo em Santo André. Dizia-se sobre ele que seus sermões eram ao mesmo tempo toda a lei e todo o evangelho; toda a lei para expor a vergonha do pecado e todo o evangelho para oferecer o perdão total e completo aos pecadores perdidos” (Errol Hulse).
Perkins morreu em 1602, aos 44 anos, em pleno vigor de sua força e no auge da fama. Em frente à sua sepultura, o seu bom amigo James Montagu, futuro bispo de Winchester, exortou os ouvintes que estavam ao lado da viúva de Perkins e seus sete filhos, citando Josué 1:2: “Moisés, meu servo, é morto”. Mesmo assim, a morte de Perkins não pôs fim à sua influência.
Quatro grupos principais se destacam dentro do puritanismo elisabetano: o grupo original “anti-vestimenta”, surgido na década de 1560, como reação às vestes clericais, detalhes da adoração pública, fazer sinal da cruz, etc.; os presbiterianos, que surgiram em meados de 1570 e 1580, preocupados com a forma de governo eclesiástico; os independentes, que surgiram em 1580, e que, perseguidos, fugiram para a Holanda e os Estados Unidos. O quarto grupo, denominado de “resistência passiva”, surgiu no final das décadas de 1580 e 1590, do qual Perkins fazia parte. Evitando o debate sobre as formas de governo da igreja e o uso das vestimentas, Perkins e outros ministros estabeleceram uma nova estratégia para o puritanismo. Eles procuraram ganhar as multidões para a fé e o estilo de vida dos evangélicos voltando para a estratégia do Novo Testamento: pregação, treinamento de líderes e persuasão. Perkins estava convencido de que tal estratégia provocaria uma transformação mais profunda na Inglaterra do que poderia ser alcançada agindo apenas por pressão no governo ou por meio da política eclesiástica.
Para isso, Perkins escreveu vários livros para promover essa reforma, e que se tornaram sucesso de venda. Esses escritos podem ser divididos em três categorias, cada uma representando uma área estratégica. Primeiro e mais importante, Perkins trabalhou por uma renovação teológicaao ensinar o calvinismo simplificado em tratados sobre predestinação, a ordem da salvação, segurança da fé, o credo dos apóstolos e os erros do catolicismo romano.A segunda área consistia em gerar uma renovação ministerial,treinando uma nova geração na arte da pregação expositiva e aconselhamento pastoral. Ele escreveu um clássico intitulado a Arte de Profetizar, usando a palavra “profetizar” no sentido de pregar. O propósito era dar aos pregadores ingleses um livro de homilética para usarem no preparo dos seus sermões. Finalmente, ele defendeu a necessidade de uma renovação moralpor meio de manuais de vida cristã, escrevendo sobre a oração do Senhor, o culto cristão, a vocação cristã e vários casos de consciência. Quando morreu, seus livros vendiam mais do que os livros de Calvino, Theodore Beza e Heinrich Bullinger juntos. Sua influência entre as igrejas nas colônias americanas também foi imensa.
3. Temor diante do ofício
Perkins afirmou que a pregação é “o principal dever de um ministro”, porque “a pregação é o chamariz da alma, pelo qual a mente dos homens é abrandada e transportada de uma vida ímpia para a fé e o arrependimento evangélicos. Portanto, se inquirirem qual é, de todos os dons, o mais excelente, sem dúvida a honra recai sobre a pregação”. Mas, ao comentar a vocação de Isaías (Is 6.9), ele enfatiza que o primeiro requisito exigido para o exercício do ministério da Palavra é “o temor do Senhor”. Eis suas palavras: “Todos os verdadeiros ministros, especialmente aqueles comissionados para pregar tão importantes palavras na sua igreja, devem, antes de qualquer coisa, ser marcados por um grande senso de temor, pela consciência da magnitude da sua função – um senso de assombro e espanto, cheio de admiração pela glória e grandeza de Deus. Eles O representam e trazem a mensagem dele. Quanto mais temerosos e relutantes estiverem diante da contemplação da majestade de Deus e da fraqueza deles, mais provável é que sejam verdadeiramente chamados por Deus e designados para propósitos elevados na sua igreja. Qualquer um que ingresse nessa função sem temor, a si mesmo se oferece, mas é duvidoso que seja chamado por Deus como o profeta Isaías claramente foi... Sempre que Deus chama quaisquer de seus servos para qualquer grande obra, ele primeiro os conduz a este senso de temor e assombro”. Por isso: “Ele mesmo [o ministro] deve primeiramente ser inclinado à santidade se quer estimular inclinações santas em outros homens”.
Hesitação para assumir o ofício, temor, tremor e uma sensação de timidez, indignidade e incapacidade, diante da imensa responsabilidade de pregar a Palavra, na condição de embaixador de Cristo (2Co 5.20), são qualidades altamente desejáveis para o exercício do ministério da pregação da Palavra de Deus. Por isso, somente o chamado divino é o que deve levar os pregadores a assumir o ofício de servos da Palavra. Ainda comentando a vocação de Isaías, Perkins observa: “A autoridade da vocação do profeta é derivada do próprio Deus, em termos evidentes e claros: ‘Vai, e fala’... Semelhantemente, no Novo Testamento, os apóstolos não saíram ao mundo para pregar, enquanto não receberam a comissão deles: ‘Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações’ (Mt 28.19). De modo semelhante, Paulo não pregou até que lhe fosse dito: ‘Levanta-te e vai’ (At 9.6). Nisso tudo o orgulho e presunção daqueles que ousam ir na sua própria autoridade, e não esperam até que o Senhor lhes diga: ‘Vão, e falem’, são reveladas e condenadas... nem a palavra deles, nem suas obras são dignas de crédito, nem há nenhum poder nelas, a não ser que sejam proferidas com base em uma comissão”.
Em resumo, a autoridade do pregador não reside nele mesmo, mas no próprio Senhor Jesus, falando pela exposição fiel da sua Palavra: “Nós afirmamos que na proclamação do sermão o pregador deveria deixar de lado a sabedoria humana e pregar em demonstração do Espírito”. A sabedoria humana deveria estar oculta dentro do conteúdo do sermão e na sua entrega. Isso porque “a pregação da Palavra é o testemunho de Deus e a confissão do conhecimento de Cristo e não da habilidade humana”. Porque, no fim: “Os ouvintes não deveriam ter uma fé dependente da habilidade humana, e, sim, do poder da Palavra de Deus”. 
4. A preparação para o sermão
Perkins dedicou os primeiros capítulos de seu tratado a uma exposição do que é a Escritura. Ele fala inicialmente da excelência da Bíblia, perfeição, pureza, eternidade, suficiência, verdade, poder em sua eficácia, discernindo o coração, subjugando a consciência, gloriosa na sua mensagem básica, que é simples para aquele que lê. Nela, Cristo que é profetizado no Antigo Testamento é o Messias vindo no Novo Testamento. Como a Escritura é a Palavra de Deus, tem em si mesmo o testemunho e quem a estuda sabe que ela é poderosa para converter pecadores. Perkins afirmou a centralidade da pregação por causa de seu conceito das Escrituras, por entender que sua exposição é o meio ordinário de salvação, e que o homemé um ser com capacidades racionais: “Porque quando as promessas da misericórdia de Deus são oferecidas ao Seu povo através da pregação da Palavra por um ministro ordenado, é como se o próprio Cristo, em pessoa, estivesse falando através das Suas ordenanças”. 
Ele oferece os seguintes passos que acredita serem necessários para se interpretar a Bíblia corretamente. 
1. Ter um conhecimento geral de toda doutrina bíblica. Se alguém tem um conhecimento claro da verdade, estará habilitado a ser um intérprete fiel da Palavra de Deus. Se ele conhece o todo pode interpretar parte.
2. Em segundo lugar, ler a Escritura em seqüência, usando análise gramatical, retórica e lógica para entender o texto. Como Calvino e os demais reformadores, ele acreditava que o texto tem apenas um único sentido.
3. Fazer uso de comentários escritos por exegetas ortodoxos. Perkins encorajou a leitura de textos dos Pais da Igreja na preparação do sermão, mas também que se ocultasse este estudo nas citações feitas do púlpito.
4. Manter um registro do que se está lendo. Ele chamava isto de “livro de registro de leitura”, onde se registraria as passagens lidas, os pontos principais e um esboço do que pregavam, para ter sempre material antigo e novo à mão. 
5. Não esquecer que toda interpretação bíblica deve ser feita em oração, porque o Espírito Santo é o interprete da Palavra de Deus. E somente o Espírito Santo, ligado à Palavra, pode salvar pecadores: “Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei” (Sl 119.18).
5. A estrutura do sermão
Segundo Perkins, há quatro divisões que servem como estrutura para o sermão:
1. “A leitura do texto claramente das Escrituras canônicas”. Ler atentamente o texto nas Escrituras no idioma do povo comum.
2. “Explicação do seu sentido, após ter sido lido, à luz das próprias Escrituras”. Dar o sentido e a compreensão do que está sendo lido pela própria Escritura e tirar do texto o seu significado natural, segundo o contexto onde se encontra a passagem, retirando alguns pontos úteis da doutrina. Seguindo este método o pregador mostra de forma clara à sua congregação que a doutrina que está pregando vem diretamente de uma exegese da Escritura. Então, desenvolve a doutrina que extraiu da Escritura através de demonstrações e argumentos. Nesse contexto precisamos enfatizar que os puritanos enfatizaram a pregação expositiva, não raro, pregando anos a fio em um livro da Bíblia. Em sua pregação, Perkins expôs Gálatas 1-5, Mateus 5-7, Judas, Hebreus 11 e Apocalipse 1-3. 
3. “A extração de alguns pontos doutrinários a partir do sentido natural da passagem”: Juntar uns poucos e proveitosos pontos doutrinais, extraídos do sentido natural. A doutrina é o resumo das verdades encontradas no texto. Como exemplo: “[Os verdadeiros minstros do evangelho] não devem pregar nem somente a lei nem o evangelho, como alguns sem sabedoria o fazem... Tanto a lei como o evangelho devem ser pregados; a lei para dar à luz o arrependimento e o evangelho para conduzir à fé. Mas eles devem ser pregados na ordem apropriada, primeiro a lei para produzir arrependimento, e então o evangelho para operar fé e perdão – nunca ao contrário”. 
4. “Se o pregador for suficientemente dotado, a aplicação das doutrinas explicadas à vida e prática da congregação em palavras diretas e claras”. Aplicar as doutrinas selecionadas, de forma precisa, à vida e ao modo de agir dos homens em uma apresentação simples, clara e prática. Perkins classificou os ouvintes regulares em uma congregação em sete categorias: 1) aquele que é absolutamente ignorante e incapaz de ser ensinado; 2) aquele que é completamente ignorante, que não sabe de nada, mas pode ser instruído; 3) aquele que teve algum conhecimento, mas não foi humilhado ou quebrantado; 4) aquele que está quebrantado; 5) aquele que crê, é novo convertido, que precisa ser instruído nas verdades básicas da fé: justificação, santificação, perseverança, a lei de Deus como regra de conduta, e que periodicamente precisa também ser lembrado da ira de Deus contra o pecado; 6) aquele que havia apostatado ou decaído; 7) aqueles que estão em depressão. Por isso ele escreveu: “A responsabilidade daqueles que ouvem a pregação da Palavra de Deus é submeterem-se a ela... O dever de vocês é ouvir a Palavra de Deus, pacientemente, submeter-se a ela, ser ensinados e instruídos, e mesmo ser perscrutados e repreendidos, e ter os pecados de vocês descobertos e as corrupções arrancadas”.
Perkins definiu a pregação assim: “É juntar a Igreja e completar o número dos eleitos”. Esta é a tarefa primordial da pregação. Sua outra função é “expulsar os lobos dos apriscos do Senhor”. A pregação completa o número dos eleitos e passa a protegê-los com a Palavra de Deus. Por isso, ele destaca quatro marcas do verdadeiro sermão:
1. O sermão precisa ser bíblico para Cristo vai nos falar através dele.
2. O sermão deve atingir a mente. A maneira de alcançar as emoções e a vontade das pessoas é por meio do intelecto. Joseph Pipa afirmou: “Perkins acreditava que o pregador se dirigia primeiro ao intelecto usando verdades irrefutáveis, princípios irrefutáveis da exegese e, se houvesse necessidade, estes princípios poderiam ser repetidos através de demonstração e argumentação. Uma vez que a pessoa aceitasse a verdade que estava sendo proclamada, ela estava em condições de aplicar à sua vida e ao seu pensamento aquilo que o pastor estava falando. Não é somente se dirigir ao intelecto da congregação, mas persuadir as pessoas intelectualmente da verdade da Escritura. Sobre este fundamento ele partia para a aplicação”.
3. O sermão deve ser de fácil memorização e claro. Perkins afirmou que pregar “deve ser simples, perspicaz e evidente... É um provérbio entre nós: ‘foi um sermão muito simples’. E eu digo de novo, quanto mais simples, melhor”.
4. O sermão deve ser transformador. Fica óbvio que Perkins sabia o que queria alcançar com sua pregação – ele era orientado por um objetivo máximo, a vida santa; e a verdade doutrinária era um meio para esse fim.
5. Pregando Cristo
Na Inglaterra do século XVII, 3% da população eram católicos, 15% influenciada pelos puritanos e 75% religiosamente indiferente. Ou seja, a vasta maioria do povo não demonstrava interesse pelo evangelho. Os puritanos queriam reformar a igreja inglesa e o que eles fizeram para conseguir isso? Colocar em cada parte da Inglaterra um pastor que fosse competente para pregar a Palavra de Deus. O impacto desse novo modelo de pregação pode ser evidenciado na imagem do pregador que recebemos na grande alegoria cristã escrita quase cem anos depois do ministério de Perkins, por John Bunyan:
Cristão – Senhor, venho da Cidade da Destruição e me dirijo ao monte Sião. O homem que fica à porta me disse no início deste caminho que, se eu batesse aqui, o senhor me mostraria coisas excelentes, coisas que me seriam proveitosas na jornada.
Intérprete – Entre. Vou mostrar-lhe algo que lhe será proveitoso.
Mandou seu servo acender a vela, e fez sinal para que Cristão o acompanhasse. Levou-o a um aposento e mandou o servo abrir a porta. Feito isso, Cristão viu pendurado na parede o quadro de uma pessoa bastante séria. Era esta a sua aparência: os olhos estavam erguidos aos céus; nas mãos trazia o melhor dos livros; a lei da verdade lhe estava escrita nos lábios; o mundo estava às suas costas; pela postura parecia apelar aos homens, e da cabeça lhe pendia uma coroa de ouro.
Cristão – O que significa isso?
Intérprete – O homem cuja figura você está vendo é um dentre mil. Pode gerar filhos, dá-los à luz e ainda amamentá-los ele mesmo, depois. E se você o vê de olhos erguidos aos céus, com o melhor dos livros nas mãos e a lei da verdade gravada nos lábios, é para mostrar-lhe que o trabalho dele é conhecer e revelar coisas sombrias aos pecadores, como também apelar aos homens.
– Se você vê o mundo às suas costas – continuou Intérprete – e uma coroa pendendo da cabeça dele, isto é para mostrar-lhe que, desprezando e desdenhando as coisas presentes pelo amor com que serve ao seu Mestre, certamente terá por recompensa a glória, no mundo que há de vir.
– Ora – disse ele ainda –, mostrei-lhe primeiro este quadro porque o homem cuja figura você está vendo é o único homem a quem o Senhor do lugar para onde você está indo autorizou para guiá-lo em todos os lugares difíceis que você talvez encontre pelo caminho. Portanto, preste bastante atenção ao que lhe mostrei. Guarde bem o que você viu, para que não encontre, durante a sua jornada, alguém que finja estar encaminhando você ao rumo certo, quando na verdade o está levando à ruína e à morte.
Como resultado do ministério de Perkins, pelo menos uma centena de pregadores se espalhou pela Inglaterra e pela colônia americana, sendo instrumentais na segunda reforma inglesa. É apropriado terminarmos com o resumo que ele oferece no fim de seu manual de pregação: “O cerne da questão é este: pregar Cristo, por meio de Cristo, para louvor de Cristo”. E, que como Perkins, digamos: “Para o Deus trino seja a glória”.


O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Dica de livro: "Institutas da Religião Cristã"

Institutas da Religião Cristã é a tradução da primeira edição das Institutas da Religião Cristã, envolvendo a soma de toda a piedade e tudo o mais que se deve saber sobre a doutrina da salvação: um livro digno de ser lido por todos os que zelam pela piedade, publicado por João Calvino em 1536, quando o reformador francês tinha apenas 27 anos.

Esta primeira edição das Institutas, escrita originalmente em latim, apresenta ao leitor o fundamento do pensamento e o coração de Calvino, estabelecendo-se como a mais importante obra de sua vida — obra que ele reeditou cinco vezes, até a sua última edição, em 1559. Depois de cinco séculos de seu lançamento, as Institutas permanecem úteis e relevantes para o estudo da doutrina e da piedade cristã. Dividida em duas partes, esta edição histórica oferece uma visão profunda do conhecimento de Deus e da vida cristã, e é uma obra que serve tanto ao interessado em aprofundar seu conhecimento da doutrina cristã como ao estudioso da obra do reformador francês.