sexta-feira, 29 de junho de 2018

SEGURANÇA NAS ADVERSIDADES


"Por que estás abatida ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim?" Sl 42.11

Há determinados dias em que as densas e escuras nuvens nos impedem de contemplar a luz do sol e de sentir o seu calor. Porém, não há nada de errado com o astro rei, pois ele permanece no seu devido lugar espargindo beleza e vida. Assim como acontece na natureza, também na vida espiritual há dias em que não sentimos os efeitos gloriosos da presença de Deus. Isso não quer dizer que ele tenha nos abandonado, o que é impossível (Is 49.15,16). Significa, tão somente, que permitimos que fatores externos sirvam de obstáculos entre nós e o nosso Deus.

Temos a tendência de ampliar e supervalorizar nossas dificuldades, atribuindo a elas uma importância que efetivamente elas não possuem. Gradativamente, a ansiedade e o medo vão se apoderando de nós e, sem perceber, vamos nos afastando de Deus e de suas gloriosas promessas. Quando isso acontece corremos o risco de afundar em meio a tempestade.

Houve um momento na vida do salmista em que ele precisou conversar seriamente com sua alma, pois ela havia se concentrado tão intensamente nos problemas e dificuldades que vivia perturbada e sem esperança. Ele a conforta e encoraja com as seguintes palavras: "Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu". Confiar em Deus é a melhor ação que o homem pode empreender.

Rev. Jailto Lima do Nascimento

quarta-feira, 27 de junho de 2018

A perfeita compatibilidade entre a Bíblia e a ciência

Muitos dos que rejeitam a fé cristã o fazem porque acreditam que a Bíblia contradiz a ciência. Mas, se existe conflito e contradição reais, depende de como se define a Bíblia e a ciência. Se a Bíblia é definida como “um livro de contos de fadas e superstições” e a ciência é definida como “fatos comprovados”, bem, obviamente, vamos ter conflito e os dois serão incompatíveis como fontes de verdade. Se a Bíblia é entendida como a Palavra de Deus e a ciência é entendida como uma metodologia necessariamente materialista que exclui a própria possibilidade de Deus, então sim, haverá um conflito. Eu proponho, entretanto, que essas não são as melhores definições iniciais e que, se pensarmos mais cuidadosamente sobre a Bíblia e a ciência, veremos que elas não estão necessariamente em conflito.
Os cristãos entendem que Deus é o Criador de todas as coisas no céu e na terra. Os cristãos também acreditam que Deus revelou certas verdades sobre si mesmo através de suas obras criadas (Rm 1.20). Teólogos o chamam de revelação geral. Deus também se revelou em sua Palavra. Nós falamos disso como revelação especial. Um ponto importante a se ter em mente é que, tanto em relação à revelação geral quanto em relação à revelação especial, Deus é o Revelador. Porque Deus é infalível, não há possibilidade de conflito ou contradição entre sua revelação geral e sua revelação especial. Deus é a única fonte infalível de ambos.
Também não há conflito entre o que ele revelou na Bíblia (revelação especial) e o que é realmente verdadeiro em relação às suas obras criadas. Se Deus criou algo de uma certa maneira, e se Deus é autoconsistente e sempre verdadeiro, sua revelação especial não dirá nada que contradiga a verdade real sobre as suas obras criadas. Se é verdade, por exemplo, que Deus criou a terra como uma esfera, então a sua revelação especial não irá e não poderá contradizer isso. Portanto, se há uma linguagem na Bíblia que parece descrever a terra como um disco achatado, o problema está em nossa interpretação.
Quando um conflito surge, é sempre o resultado da má interpretação humana sobre as obras criadas por Deus, daquilo que ele revelou através de suas obras criadas, daquilo que ele revelou através de sua Palavra, ou alguma combinação delas. Em outras palavras, um conflito pode ser o resultado de uma teoria científica incorreta sobre algum aspecto das obras criadas por Deus. Um conflito também pode ser o resultado de uma interpretação incorreta da revelação especial de Deus. E um conflito pode ser o resultado de interpretações errôneas de ambas. O problema sempre recai sobre os intérpretes humanos caídos e falíveis (cientistas e teólogos), não sobre Deus.
Os seres humanos são falíveis. Vários fatores, incluindo a ignorância e o pecado, significam que podemos e cometemos erros. Aqueles que observam e tentam entender o mundo criado podem e cometeram erros. Hipóteses e teorias científicas são falíveis. Eles podem estar enganados. Aqueles que estudam e buscam entender a Bíblia também podem e cometeram erros. Existem interpretações conflitantes de muitos textos bíblicos e sistemas teológicos conflitantes, porque os intérpretes das Escrituras são falíveis. Interpretações e teorias exegéticas e teológicas podem ser confundidas.
Ciência e Escritura são completamente compatíveis, desde que se entenda que a ciência é o estudo cuidadoso das obras de criação de Deus. A ciência corre o risco de ser incompatível com a Escritura apenas quando as filosofias metafísicas naturalistas e materialistas são importadas para a definição de ciência. O conflito que parece existir hoje é em grande parte devido a tais suposições filosóficas por parte de muitos incrédulos. Ironicamente, essas suposições filosóficas não podem ser provadas por meio de qualquer observação empírica.
Porque o mundo criado é do jeito que Deus criou, tanto os crentes como os incrédulos podem e fizeram observações verdadeiras sobre ele. É claro que os incrédulos sempre escondem quaisquer observações verdadeiras que fazem dentro de uma estrutura filosófica antibíblica, mas as observações, até onde vão, podem ser verdadeiras. Como João Calvino notou, os incrédulos podem conhecer as verdades sobre as “coisas terrenas”, embora no que diz respeito às “coisas celestiais”, eles são “cegos como as toupeiras” (Institutas 2.2.12-21). Os crentes não têm nada a temer em relação à ciência, entendida como o estudo das obras criadas por Deus. As obras das mãos de Deus são surpreendentes e maravilhosas, e os cristãos podem se alegrar e louvar ao seu Criador toda vez que algo verdadeiro sobre essas obras é descoberto, independentemente de quem fez a descoberta. O problema não é a ciência em si; o problema são as falsas filosofias disfarçadas de ciência que devem ser rejeitadas.

Tradução: William Teixeira.
Revisão: Camila Rebeca Teixeira.
O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

Calmo Sereno e Tranquilo


segunda-feira, 25 de junho de 2018

William Perkins e a pregação no movimento puritano

1. Modelos de pregação no fim da Idade Média e na Renascença
Ao fim da Idade Média e no começo da Renascença havia dois métodos de pregação principais:
O método antigo, surgido na Antigüidade, chamado desta forma por estar ligado aos primeiros pregadores, como Crisóstomo e Agostinho, e por ocasião da Reforma, a João Calvino. O método antigo de pregação não tinha nenhuma estrutura elaborada de organização, seguindo a ordem do texto, com exegese e aplicação, muitas vezes de forma extemporânea.
O método moderno, surgido na Idade Média. Era um estilo de pregação que se desenvolveu com base na oratória ciceroniana e supunha uma vasta cultura filosófica, oratória, poética e histórica, além do exercício e a imitação dos melhores autores, das suas sentenças e de seu conteúdo moral, como presente nas homilias anglicanas. Mas William Perkins tomou esta forma de pregação e eliminou todo pedantismo e linguagem vazia e sem sentido, criando um novo estilo de sermão. Por que essa necessidade de reformar até mesmo o estilo da pregação? Porque, para os puritanos, até mesmo pregar era uma atividade subversiva e seu objetivo era a reforma do caráter e da ação – “reformar a vida da impiedade”, como Perkins afirmou.
2. Reformando a piedade
William Perkins nasceu em 1558, no vilarejo de Marston Jabbet, em Warwickshire, Inglaterra. Sabemos pouco sobre sua juventude até ele deixar sua casa para começar seus estudos na Faculdade de Cristo, em Cambridge, em junho de 1577. Perkins se matriculou na faculdade como pensionista, o que sugere que ele pertencia a uma família de classe média bem estabelecida. A vida na universidade desafiou a criação religiosa de Perkins. Ele parecia ter perdido toda e qualquer fé cristã que um dia possuíra. Nesse vácuo espiritual surgiu um substituto novo, mais fascinante: o oculto. Anos mais tarde, Perkins descreveria assim essa fascinação pela mágica e pelo oculto: “Durante muito tempo, estudei essa arte e nunca me satisfazia até descobrir todos os seus segredos. Mas depois, aprouve a Deus colocar diante de mim a blasfêmia que isso era, ou, devo dizer francamente, a idolatria, embora por vezes ela pudesse estar coberta por uma tinta dourada”.
Em 1584, Perkins já havia se convertido totalmente à fé cristã. Em algum momento durante o seu bacharelado, em 1581, e seu mestrado, em 1584, Perkins passou pela experiência do novo nascimento. Naquele mesmo ano, aos 26 anos, ele passou a ser um dos professores na Faculdade de Cristo. Como professor, cresceu em conhecimento e fama até que “poucos estudantes de teologia saíssem de Cambridge sem terem se beneficiado de alguma maneira de sua instrução”. Uma das coisas que atraía seus alunos era o seu amor pela simetria e precisão lógica. Segundo seu amigo Robert Hill, “ele tinha um excelente dom para definir de maneira correta, dividir com exatidão, argumentar com sutileza, responder diretamente, falar com vigor e escrever de maneira judicial”. Além de suas tarefas rotineiras de professor, Perkins, pelo restante de sua vida, foi palestrante na igreja de Santo André, localizada bem em frente da Faculdade de Cristo. Seu ministério no púlpito pulsava com a mesma força que animava os seus ensinamentos. Thomas Fuller nos diz que, “do púlpito, ele pronunciava a palavra ‘perdição’ com tamanha ênfase, que ela ficava ecoando nos ouvidos de seu auditório por um bom tempo”. Por outro lado, “o erudito não podia ouvir sermões mais instruídos, nem o homem da cidade sermões mais claros”.
Em 1596, Perkins se casou com uma viúva chamada Timothye e imediatamente se tornou pai de sete filhos. Essa deve ter sido uma experiência chocante para quem fora solteiro durante tanto tempo. Como um homem casado, Perkins foi obrigado a abandonar seu posto na faculdade. Contudo, permaneceu como pregador na Igreja de Santo André. Ele obteve permissão para pregar aos prisioneiros nas cadeias. “Ele ganhou almas para Cristo entre eles, tanto quanto entre a multidão que comparecia para ouvi-lo em Santo André. Dizia-se sobre ele que seus sermões eram ao mesmo tempo toda a lei e todo o evangelho; toda a lei para expor a vergonha do pecado e todo o evangelho para oferecer o perdão total e completo aos pecadores perdidos” (Errol Hulse).
Perkins morreu em 1602, aos 44 anos, em pleno vigor de sua força e no auge da fama. Em frente à sua sepultura, o seu bom amigo James Montagu, futuro bispo de Winchester, exortou os ouvintes que estavam ao lado da viúva de Perkins e seus sete filhos, citando Josué 1:2: “Moisés, meu servo, é morto”. Mesmo assim, a morte de Perkins não pôs fim à sua influência.
Quatro grupos principais se destacam dentro do puritanismo elisabetano: o grupo original “anti-vestimenta”, surgido na década de 1560, como reação às vestes clericais, detalhes da adoração pública, fazer sinal da cruz, etc.; os presbiterianos, que surgiram em meados de 1570 e 1580, preocupados com a forma de governo eclesiástico; os independentes, que surgiram em 1580, e que, perseguidos, fugiram para a Holanda e os Estados Unidos. O quarto grupo, denominado de “resistência passiva”, surgiu no final das décadas de 1580 e 1590, do qual Perkins fazia parte. Evitando o debate sobre as formas de governo da igreja e o uso das vestimentas, Perkins e outros ministros estabeleceram uma nova estratégia para o puritanismo. Eles procuraram ganhar as multidões para a fé e o estilo de vida dos evangélicos voltando para a estratégia do Novo Testamento: pregação, treinamento de líderes e persuasão. Perkins estava convencido de que tal estratégia provocaria uma transformação mais profunda na Inglaterra do que poderia ser alcançada agindo apenas por pressão no governo ou por meio da política eclesiástica.
Para isso, Perkins escreveu vários livros para promover essa reforma, e que se tornaram sucesso de venda. Esses escritos podem ser divididos em três categorias, cada uma representando uma área estratégica. Primeiro e mais importante, Perkins trabalhou por uma renovação teológicaao ensinar o calvinismo simplificado em tratados sobre predestinação, a ordem da salvação, segurança da fé, o credo dos apóstolos e os erros do catolicismo romano.A segunda área consistia em gerar uma renovação ministerial,treinando uma nova geração na arte da pregação expositiva e aconselhamento pastoral. Ele escreveu um clássico intitulado a Arte de Profetizar, usando a palavra “profetizar” no sentido de pregar. O propósito era dar aos pregadores ingleses um livro de homilética para usarem no preparo dos seus sermões. Finalmente, ele defendeu a necessidade de uma renovação moralpor meio de manuais de vida cristã, escrevendo sobre a oração do Senhor, o culto cristão, a vocação cristã e vários casos de consciência. Quando morreu, seus livros vendiam mais do que os livros de Calvino, Theodore Beza e Heinrich Bullinger juntos. Sua influência entre as igrejas nas colônias americanas também foi imensa.
3. Temor diante do ofício
Perkins afirmou que a pregação é “o principal dever de um ministro”, porque “a pregação é o chamariz da alma, pelo qual a mente dos homens é abrandada e transportada de uma vida ímpia para a fé e o arrependimento evangélicos. Portanto, se inquirirem qual é, de todos os dons, o mais excelente, sem dúvida a honra recai sobre a pregação”. Mas, ao comentar a vocação de Isaías (Is 6.9), ele enfatiza que o primeiro requisito exigido para o exercício do ministério da Palavra é “o temor do Senhor”. Eis suas palavras: “Todos os verdadeiros ministros, especialmente aqueles comissionados para pregar tão importantes palavras na sua igreja, devem, antes de qualquer coisa, ser marcados por um grande senso de temor, pela consciência da magnitude da sua função – um senso de assombro e espanto, cheio de admiração pela glória e grandeza de Deus. Eles O representam e trazem a mensagem dele. Quanto mais temerosos e relutantes estiverem diante da contemplação da majestade de Deus e da fraqueza deles, mais provável é que sejam verdadeiramente chamados por Deus e designados para propósitos elevados na sua igreja. Qualquer um que ingresse nessa função sem temor, a si mesmo se oferece, mas é duvidoso que seja chamado por Deus como o profeta Isaías claramente foi... Sempre que Deus chama quaisquer de seus servos para qualquer grande obra, ele primeiro os conduz a este senso de temor e assombro”. Por isso: “Ele mesmo [o ministro] deve primeiramente ser inclinado à santidade se quer estimular inclinações santas em outros homens”.
Hesitação para assumir o ofício, temor, tremor e uma sensação de timidez, indignidade e incapacidade, diante da imensa responsabilidade de pregar a Palavra, na condição de embaixador de Cristo (2Co 5.20), são qualidades altamente desejáveis para o exercício do ministério da pregação da Palavra de Deus. Por isso, somente o chamado divino é o que deve levar os pregadores a assumir o ofício de servos da Palavra. Ainda comentando a vocação de Isaías, Perkins observa: “A autoridade da vocação do profeta é derivada do próprio Deus, em termos evidentes e claros: ‘Vai, e fala’... Semelhantemente, no Novo Testamento, os apóstolos não saíram ao mundo para pregar, enquanto não receberam a comissão deles: ‘Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações’ (Mt 28.19). De modo semelhante, Paulo não pregou até que lhe fosse dito: ‘Levanta-te e vai’ (At 9.6). Nisso tudo o orgulho e presunção daqueles que ousam ir na sua própria autoridade, e não esperam até que o Senhor lhes diga: ‘Vão, e falem’, são reveladas e condenadas... nem a palavra deles, nem suas obras são dignas de crédito, nem há nenhum poder nelas, a não ser que sejam proferidas com base em uma comissão”.
Em resumo, a autoridade do pregador não reside nele mesmo, mas no próprio Senhor Jesus, falando pela exposição fiel da sua Palavra: “Nós afirmamos que na proclamação do sermão o pregador deveria deixar de lado a sabedoria humana e pregar em demonstração do Espírito”. A sabedoria humana deveria estar oculta dentro do conteúdo do sermão e na sua entrega. Isso porque “a pregação da Palavra é o testemunho de Deus e a confissão do conhecimento de Cristo e não da habilidade humana”. Porque, no fim: “Os ouvintes não deveriam ter uma fé dependente da habilidade humana, e, sim, do poder da Palavra de Deus”. 
4. A preparação para o sermão
Perkins dedicou os primeiros capítulos de seu tratado a uma exposição do que é a Escritura. Ele fala inicialmente da excelência da Bíblia, perfeição, pureza, eternidade, suficiência, verdade, poder em sua eficácia, discernindo o coração, subjugando a consciência, gloriosa na sua mensagem básica, que é simples para aquele que lê. Nela, Cristo que é profetizado no Antigo Testamento é o Messias vindo no Novo Testamento. Como a Escritura é a Palavra de Deus, tem em si mesmo o testemunho e quem a estuda sabe que ela é poderosa para converter pecadores. Perkins afirmou a centralidade da pregação por causa de seu conceito das Escrituras, por entender que sua exposição é o meio ordinário de salvação, e que o homemé um ser com capacidades racionais: “Porque quando as promessas da misericórdia de Deus são oferecidas ao Seu povo através da pregação da Palavra por um ministro ordenado, é como se o próprio Cristo, em pessoa, estivesse falando através das Suas ordenanças”. 
Ele oferece os seguintes passos que acredita serem necessários para se interpretar a Bíblia corretamente. 
1. Ter um conhecimento geral de toda doutrina bíblica. Se alguém tem um conhecimento claro da verdade, estará habilitado a ser um intérprete fiel da Palavra de Deus. Se ele conhece o todo pode interpretar parte.
2. Em segundo lugar, ler a Escritura em seqüência, usando análise gramatical, retórica e lógica para entender o texto. Como Calvino e os demais reformadores, ele acreditava que o texto tem apenas um único sentido.
3. Fazer uso de comentários escritos por exegetas ortodoxos. Perkins encorajou a leitura de textos dos Pais da Igreja na preparação do sermão, mas também que se ocultasse este estudo nas citações feitas do púlpito.
4. Manter um registro do que se está lendo. Ele chamava isto de “livro de registro de leitura”, onde se registraria as passagens lidas, os pontos principais e um esboço do que pregavam, para ter sempre material antigo e novo à mão. 
5. Não esquecer que toda interpretação bíblica deve ser feita em oração, porque o Espírito Santo é o interprete da Palavra de Deus. E somente o Espírito Santo, ligado à Palavra, pode salvar pecadores: “Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei” (Sl 119.18).
5. A estrutura do sermão
Segundo Perkins, há quatro divisões que servem como estrutura para o sermão:
1. “A leitura do texto claramente das Escrituras canônicas”. Ler atentamente o texto nas Escrituras no idioma do povo comum.
2. “Explicação do seu sentido, após ter sido lido, à luz das próprias Escrituras”. Dar o sentido e a compreensão do que está sendo lido pela própria Escritura e tirar do texto o seu significado natural, segundo o contexto onde se encontra a passagem, retirando alguns pontos úteis da doutrina. Seguindo este método o pregador mostra de forma clara à sua congregação que a doutrina que está pregando vem diretamente de uma exegese da Escritura. Então, desenvolve a doutrina que extraiu da Escritura através de demonstrações e argumentos. Nesse contexto precisamos enfatizar que os puritanos enfatizaram a pregação expositiva, não raro, pregando anos a fio em um livro da Bíblia. Em sua pregação, Perkins expôs Gálatas 1-5, Mateus 5-7, Judas, Hebreus 11 e Apocalipse 1-3. 
3. “A extração de alguns pontos doutrinários a partir do sentido natural da passagem”: Juntar uns poucos e proveitosos pontos doutrinais, extraídos do sentido natural. A doutrina é o resumo das verdades encontradas no texto. Como exemplo: “[Os verdadeiros minstros do evangelho] não devem pregar nem somente a lei nem o evangelho, como alguns sem sabedoria o fazem... Tanto a lei como o evangelho devem ser pregados; a lei para dar à luz o arrependimento e o evangelho para conduzir à fé. Mas eles devem ser pregados na ordem apropriada, primeiro a lei para produzir arrependimento, e então o evangelho para operar fé e perdão – nunca ao contrário”. 
4. “Se o pregador for suficientemente dotado, a aplicação das doutrinas explicadas à vida e prática da congregação em palavras diretas e claras”. Aplicar as doutrinas selecionadas, de forma precisa, à vida e ao modo de agir dos homens em uma apresentação simples, clara e prática. Perkins classificou os ouvintes regulares em uma congregação em sete categorias: 1) aquele que é absolutamente ignorante e incapaz de ser ensinado; 2) aquele que é completamente ignorante, que não sabe de nada, mas pode ser instruído; 3) aquele que teve algum conhecimento, mas não foi humilhado ou quebrantado; 4) aquele que está quebrantado; 5) aquele que crê, é novo convertido, que precisa ser instruído nas verdades básicas da fé: justificação, santificação, perseverança, a lei de Deus como regra de conduta, e que periodicamente precisa também ser lembrado da ira de Deus contra o pecado; 6) aquele que havia apostatado ou decaído; 7) aqueles que estão em depressão. Por isso ele escreveu: “A responsabilidade daqueles que ouvem a pregação da Palavra de Deus é submeterem-se a ela... O dever de vocês é ouvir a Palavra de Deus, pacientemente, submeter-se a ela, ser ensinados e instruídos, e mesmo ser perscrutados e repreendidos, e ter os pecados de vocês descobertos e as corrupções arrancadas”.
Perkins definiu a pregação assim: “É juntar a Igreja e completar o número dos eleitos”. Esta é a tarefa primordial da pregação. Sua outra função é “expulsar os lobos dos apriscos do Senhor”. A pregação completa o número dos eleitos e passa a protegê-los com a Palavra de Deus. Por isso, ele destaca quatro marcas do verdadeiro sermão:
1. O sermão precisa ser bíblico para Cristo vai nos falar através dele.
2. O sermão deve atingir a mente. A maneira de alcançar as emoções e a vontade das pessoas é por meio do intelecto. Joseph Pipa afirmou: “Perkins acreditava que o pregador se dirigia primeiro ao intelecto usando verdades irrefutáveis, princípios irrefutáveis da exegese e, se houvesse necessidade, estes princípios poderiam ser repetidos através de demonstração e argumentação. Uma vez que a pessoa aceitasse a verdade que estava sendo proclamada, ela estava em condições de aplicar à sua vida e ao seu pensamento aquilo que o pastor estava falando. Não é somente se dirigir ao intelecto da congregação, mas persuadir as pessoas intelectualmente da verdade da Escritura. Sobre este fundamento ele partia para a aplicação”.
3. O sermão deve ser de fácil memorização e claro. Perkins afirmou que pregar “deve ser simples, perspicaz e evidente... É um provérbio entre nós: ‘foi um sermão muito simples’. E eu digo de novo, quanto mais simples, melhor”.
4. O sermão deve ser transformador. Fica óbvio que Perkins sabia o que queria alcançar com sua pregação – ele era orientado por um objetivo máximo, a vida santa; e a verdade doutrinária era um meio para esse fim.
5. Pregando Cristo
Na Inglaterra do século XVII, 3% da população eram católicos, 15% influenciada pelos puritanos e 75% religiosamente indiferente. Ou seja, a vasta maioria do povo não demonstrava interesse pelo evangelho. Os puritanos queriam reformar a igreja inglesa e o que eles fizeram para conseguir isso? Colocar em cada parte da Inglaterra um pastor que fosse competente para pregar a Palavra de Deus. O impacto desse novo modelo de pregação pode ser evidenciado na imagem do pregador que recebemos na grande alegoria cristã escrita quase cem anos depois do ministério de Perkins, por John Bunyan:
Cristão – Senhor, venho da Cidade da Destruição e me dirijo ao monte Sião. O homem que fica à porta me disse no início deste caminho que, se eu batesse aqui, o senhor me mostraria coisas excelentes, coisas que me seriam proveitosas na jornada.
Intérprete – Entre. Vou mostrar-lhe algo que lhe será proveitoso.
Mandou seu servo acender a vela, e fez sinal para que Cristão o acompanhasse. Levou-o a um aposento e mandou o servo abrir a porta. Feito isso, Cristão viu pendurado na parede o quadro de uma pessoa bastante séria. Era esta a sua aparência: os olhos estavam erguidos aos céus; nas mãos trazia o melhor dos livros; a lei da verdade lhe estava escrita nos lábios; o mundo estava às suas costas; pela postura parecia apelar aos homens, e da cabeça lhe pendia uma coroa de ouro.
Cristão – O que significa isso?
Intérprete – O homem cuja figura você está vendo é um dentre mil. Pode gerar filhos, dá-los à luz e ainda amamentá-los ele mesmo, depois. E se você o vê de olhos erguidos aos céus, com o melhor dos livros nas mãos e a lei da verdade gravada nos lábios, é para mostrar-lhe que o trabalho dele é conhecer e revelar coisas sombrias aos pecadores, como também apelar aos homens.
– Se você vê o mundo às suas costas – continuou Intérprete – e uma coroa pendendo da cabeça dele, isto é para mostrar-lhe que, desprezando e desdenhando as coisas presentes pelo amor com que serve ao seu Mestre, certamente terá por recompensa a glória, no mundo que há de vir.
– Ora – disse ele ainda –, mostrei-lhe primeiro este quadro porque o homem cuja figura você está vendo é o único homem a quem o Senhor do lugar para onde você está indo autorizou para guiá-lo em todos os lugares difíceis que você talvez encontre pelo caminho. Portanto, preste bastante atenção ao que lhe mostrei. Guarde bem o que você viu, para que não encontre, durante a sua jornada, alguém que finja estar encaminhando você ao rumo certo, quando na verdade o está levando à ruína e à morte.
Como resultado do ministério de Perkins, pelo menos uma centena de pregadores se espalhou pela Inglaterra e pela colônia americana, sendo instrumentais na segunda reforma inglesa. É apropriado terminarmos com o resumo que ele oferece no fim de seu manual de pregação: “O cerne da questão é este: pregar Cristo, por meio de Cristo, para louvor de Cristo”. E, que como Perkins, digamos: “Para o Deus trino seja a glória”.


O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Dica de livro: "Institutas da Religião Cristã"

Institutas da Religião Cristã é a tradução da primeira edição das Institutas da Religião Cristã, envolvendo a soma de toda a piedade e tudo o mais que se deve saber sobre a doutrina da salvação: um livro digno de ser lido por todos os que zelam pela piedade, publicado por João Calvino em 1536, quando o reformador francês tinha apenas 27 anos.

Esta primeira edição das Institutas, escrita originalmente em latim, apresenta ao leitor o fundamento do pensamento e o coração de Calvino, estabelecendo-se como a mais importante obra de sua vida — obra que ele reeditou cinco vezes, até a sua última edição, em 1559. Depois de cinco séculos de seu lançamento, as Institutas permanecem úteis e relevantes para o estudo da doutrina e da piedade cristã. Dividida em duas partes, esta edição histórica oferece uma visão profunda do conhecimento de Deus e da vida cristã, e é uma obra que serve tanto ao interessado em aprofundar seu conhecimento da doutrina cristã como ao estudioso da obra do reformador francês.

domingo, 10 de junho de 2018

MOVIVENTO PELA ÉTICA EVANGÉLICA BRASILEIRA EM SÃO BERNARDO DO CAMPO, NO CONGRESSO DO G-12

Mais uma vez procurando levar o povo a reflexão sobre o Evangelho de Jesus e a religiosidade do mercado. Hoje: Congresso G-12- São Bernardo Campo,SP. Muitos leram a faixa e levaram nossos folhetos, outros conversaram conosco ( uns criticando, outros apoiando e alguns ainda tentando entender). O resultado talvez só a eternidade revele.



domingo, 3 de junho de 2018

A NOSSA REUNIÃO COM CRISTO 2Ts 2. 1-6


“Irmãos, no que diz respeito à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa reunião com ele, nós vos exortamos.” 2Ts 2.1

Continuando...
A preocupação do apóstolo Paulo para com os crentes de Tessalônica, em relação a segunda vinda de Cristo, se torna evidente a partir da sua exortação. O termo originalmente utilizado pelo apóstolo em grego é erōtáō, que no português tem os sentidos de pedir, requerer e exortar. Nossos tradutores preferiram a palavra exortar, talvez, porque a palavra condiz melhor com a autoridade apostólica que pedir e requerer. Os pontos fundamentais da exortação paulina aos tessalonicenses, concernente a segunda volta de Cristo, em 2Ts 2.3, são:

Primeiro, “a que não vos demovais da vossa mente, com facilidade...” O verbo grego saleúō, no original tem o significado de abalar, cambalear, mover-se de lá para cá, titubear. O evangelista Lucas utilizou em Lc 6.48 este verbo para declarar que um a casa não foi abala pelo furor de uma tempestade, porque tinha suas bases firmes pela penetração dos elementos construtivos no solo. Entendemos que o apóstolo Paulo, em sua exortação, chamava a atenção dos crentes de Tessalônica para que continuassem firmes na fé, sem cambalear, titubear ou mover para lá e para cá. Que a segunda volta de Cristo estivesse sempre presente nas mentes deles como uma realidade futura e sem conturbações. Ainda que as heresias fossem tempestuosas, eles permanecessem firmes nas promessas de Deus e na rocha segura que é Jesus.

Segundo, “nem vos perturbeis” throeō, o verbo originalmente utilizado pelo apóstolo Paulo, tem como significado, estar assustado, perturbado, agitado, alarmado e preocupado. Também aplicado com o significado de chorar em voz alta, fazer um barulho pelo clamor. Em Tessalônica a agitação mental levava aqueles crentes à confusão em seus pensamentos e ações causando tumulto. A causa do desiquilíbrio emocional e espiritual dos tessalonicenses era a pregação apocalíptica com muitas interpretações falsas acerca da natureza e do tempo da segunda volta de Cristo. Em sua exortação, Paulo diz, “... quer por espírito.” Mui provavelmente essas palavras indicam que teria havido “declarações proféticas” por parte de certos membros da congregação cristã de Tessalônica. “... quer por palavra”. A expressão indica que os pregadores apocalípticos, provavelmente pensando estar alicerçados sobre os ensinamentos de Paulo, enquanto pregavam enganosamente. “... quer por epístola”. Os pregadores apocalípticos exploravam determinadas passagens da primeira carta de Paulo aos Tessalonicenses, outras cartas de Paulo desconhecidas por nós, supostos escritos de Paulo, sem o endosso apostólico e outros escritos de origem duvidosa. Na exposição de tais materiais por eles utilizados conturbavam os tessalonicenses que perturbados viviam atemorizados “... supondo tenha chegado o dia do Senhor”. O vergo chegar usado em nossas versões foi vertido do verbo grego, ínistemi, que tem o sentido de estar presente, ter vindo (Sentido de iminente, imediato).

A volta de Cristo pode estar muito mais próxima que imaginamos. Nós estamos preparados para a nossa reunião com Cristo? Diante das heresias hoje, também, pregadas estejamos pautados na Bíblia, a nossa única regra de fé e prática; aguardemos pacientes e seguros o soar da trombeta de Deus.

Deus o abençoe com paz em seu coração. Maranata, vem Senhor Jesus.

Cleuso Nogueira, Pastor da Igreja Presbiteriana José Manoel da Conceição, JANDIRA-SP

sábado, 2 de junho de 2018

O Evangelho não é um Show


“São ministros de Cristo? (falo como fora de mim) eu ainda mais: em trabalhos, muito mais; em açoites, mais do que eles; em prisões, muito mais; em perigo de morte, muitas vezes.
Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um.
Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo;
Em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos;
Em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez.
Além das coisas exteriores, me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas.” –
2 Coríntios 11:23-28
Este é o relato do Apóstolo (de verdade) Paulo sobre sua vivência na pregação do Evangelho de Cristo. Pouco se sabe sobre sua vida como Saulo de Tarso, antes do encontro com Jesus no caminho para Damasco, mas com certeza sua vida era relativamente próspera, uma vez que coordenava a perseguição aos cristãos.
Porém, ao se converter ao Cristianismo sua vida se transtornou: ficou cego por alguns dias e passou por muitas dificuldades, algumas delas elencadas no relato em 2 Coríntios 11. Trabalhava tecendo tendas para ajudar a se manter. Culminou com uma morte desonrosa, como réu em Roma, por decapitação.
Assim como ocorreu com o Apóstolo (de verdade) Paulo, ocorreu (com diferentes intensidades) com os demais apóstolos e com os cristãos convertidos. Viveram, por séculos, perseguições, torturas e mortes horríveis. Foram considerados párias pela sociedade. Foram achados perigosos para os governantes e demais religiosos.
Por séculos, ser cristão não era sinônimo de festa. Era sinônimo de renúncia, de contrição, de arrependimento, de santidade. Era sinônimo de inimigo do mundo e dos seus prazeres. Era sinônimo de amor ao próximo e resistência ao inimigo.
Mas os tempos mudaram. E os conceitos e valores também.
Hoje ninguém (a não ser que viva na China, na Coreia do Norte ou em países de maioria muçulmana) precisa esconder que é cristão. Ao contrário, em alguns países, como no nosso, é algo aparentemente natural. Num primeiro momento, podemos achar que o sangue de tantos mártires por tantos séculos frutificou, pois o Evangelho chegou até nós e outras nações do mundo.
Mas algo está errado: o Evangelho que professamos é diferente daquele dos primeiros cristãos. É diferente do Evangelho ensinado por Jesus Cristo.
Hoje vivemos o Evangelho do Show.
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Show bom é show que lota e que tem grande arrecadação na bilheteria. É show que traz os artistas mais famosos e mais idolatrados. É show que nos faz esquecer momentaneamente dos problemas e que nos leva, nas suas horas de duração, a um êxtase. Show bom satisfaz nossos sentidos mais primitivos.
O futebol é um exemplo de show bom. Espetáculos musicais também, além dos comícios eleitorais. E agora temos as pregações show, os shows gospel e as Marchas para Jesus. E todos eles trazem os mesmos elementos do sucesso.
Por que cristãos se submeteram, como cordeiros, a torturas e mortes horríveis durante séculos? Por que vemos cristãos preferindo entregar suas vidas no Iraque e na Nigéria a terem que negar a Cristo?
Porque eles se converteram ao Evangelho de Cristo, ao Evangelho da Cruz.
O Evangelho da Cruz prega que o maior precisa servir ao menor. Prega que devemos oferecer a outra face a quem nos agride. Preconiza que devemos amar e abençoar aos nossos inimigos. Ensina que o Reino de Deus está nos céus, não nessa nossa vida curta e provisória.
Quem se converte ao Evangelho da Cruz sabe desde o início que passará por tribulações e que terá que renunciar aos favores deste mundo. Sabe que não tem merecimento nenhum, e que por isso o “morrer é lucro”. Sabe que carece do amor e da infinita misericórdia de Deus, Daquele que criou os céus e a terra e tudo o que há, Daquele que provê nas dificuldades mas que, se não prover, ainda assim continua sendo Soberano sobre todas as coisas.
O cristão do Evangelho da Cruz busca a Salvação de sua alma.
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O Evangelho do Show prega que o cristão nasceu para dominar a tudo e a todos. Prega que somos filhos do Rei, cabeça e não cauda, dignos de todas as promessas dadas ao povo hebreu, porém isentos de todas as maldições recebidas por esse mesmo povo. Preconiza que os nossos inimigos ficarão debaixo dos nossos pés e que cairão ao nosso lado sem dó nem piedade, afinal estão mexendo com os filhos do Rei. Ensina que Deus não apenas nos provê na hora da dificuldade, como tem a obrigação de nos prosperar infinitamente, afinal somos fiéis na entrega dos dízimos e ofertas, que têm o poder de direcionar a vontade Soberana (pero no mucho) de Deus a nosso favor.
O cristão do Evangelho do Show busca a recompensa ainda nessa vida, já que o pós morte parece muito distante.
Quando enfrentarmos uma verdadeira perseguição no Brasil (verdadeira, com risco de torturas e morte, não falsas perseguições como as alegadas por [im]pastores que cometem falhas e as têm expostas), muitos dos cristãos convertidos no Evangelho do Show negarão a Jesus e apostatarão da fé. Afinal, não foi isso o que lhes foi prometido naquela pregação show, naquele show gospel ou naquela Marcha para Jesus. O combinado foi que Jesus os faria ricos, famosos, com sucesso profissional, curados de todas as doenças e tudo o mais. Foi-lhes prometido que teriam muitos amigos na igreja, muitos eventos ministeriais para se divertir de forma saudável, um presidente ou deputado amigo da igreja que o ajudou a se eleger, enfim, o Paraíso na terra. O cristão do Evangelho do Show não foi preparado para a perseguição.
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Eventos gospel como os citados e muitos outros têm o poder de inchar as igrejas. Atraem as pessoas pelo espetáculo, pelo show, pelas promessas aqui e agora, pelas benesses que o fiel pode usufruir ao fazer parte do “clube”. Como todo o mundo almeja essas coisas, é muito fácil oferecer esse Evangelho.
Mas o Evangelho do Show é FALSO.

Via: Esteangeira
Vera Siqueira

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